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Segredo revelado

Segredo revelado

28.03.14

Lá fora a chuva cai...


segredo_revelado

 

Portugal, julgo que é do conhecimento geral, é um dos países onde há maior número de horas de exposição solar em toda a Europa.
Aliás, esse é um dos grandes motivos que faz com que tantos estrangeiros escolham o nosso cantinho à beira-mar plantado como destino das suas férias ou como destino para a compra de uma segunda casa de habitação.
Bem, turismo e sol à parte, este post incide mais sobre algo que, embora tão necessário para a existência do nosso ecossistema e para a produção agrícola, é muito mal amado pela generalidade das pessoas : a chuva!
Vá, não vou aqui dar uma de tonto que diz que adora dias de chuva invernosa, mas admito, sem grandes problemas, o quanto gosto de poder ouvir o som da chuva cair enquanto me encontro em casa, de preferência à noite e já deitado na caminha.
É um som que me transmite uma tranquilidade enorme, um som que me relaxa corpo e alma...
Se já é próprio da minha natureza eu pensar muito - e nem me venham tentar fazer crer que isto tem a haver com alguma característica do meu signo, que não ''engulo'' essas coisas! - , então quando se propiciam aquelas condições que referi anteriormente, ui, viro um verdadeiro filósofo de trazer por casa.
Cheguei, há cerca de 45 minutos, de mais um dos habituais treinos das quintas-feiras e não encontrei o sono em casa, onde ele devia estar à minha espera. A viagem de regresso a casa foi feita, debaixo de uma chuvinha miúda, confortavelmente sentado no lugar do pendura, no banco da frente de um carro que até é meu, mas o qual nem conduzo já nem sei desde quando. Sou um tipo estranho, eu sei, escusam de me dizer o óbvio!
Acho que a viagem, mal comparando com outras coisas, pode ter sido uma espécie de preliminares, um warm up para despoletar esta minha predisposição a ficar acordado a ouvir a chuva cair.
Deve ser inédito isto de ter preliminares num carro. Quer dizer... se calhar não é tão inédito assim! Inédito e extremamente amaricado é mesmo eu comparar a viagem a preliminares sexuais, tendo em conta que no carro éramos 4 gajos de barba rija, todos, quanto se sabe, hetero. Adiante!
Hoje, isto é, ainda ontem, dia 27 de Março, não interessa o porquê, que lá por lerem isto não quer dizer que seja suposto saberem tudo, tive um daqueles momentos em que dou por mim a pensar que sou realmente um gajo que bate um bocado mal das ideias. E o que motivou esta minha conclusão tão brilhante ? Uma conversa sobre um carro, mais concretamente um carro automático.
''Sabes conduzir um carro automático?'' , perguntaram-me. Eu lá respondi que nunca conduzi um desses e que nem o meu tenho conduzido. Isto é normal?! Não é muito normal, até eu reconheço isso, tal como reconheço a insignificância do ''toque'' que, desde há uns anos, levou a que, cada vez menos e menos e menos, eu conduzisse o carro, até deixar por completo. Ok, na verdade nem tenho realmente necessidade de o fazer, mas, caramba, há momentos em que daria jeito.
Este meu receio infundado, tal como outros, instalou-se de tal modo na minha vida, na minha rotina, que acabei por o aceitar como algo natural, algo normal. Mas não é, isso é o pior!
Haverá pior do que, topem só a qualidade da metáfora, estando alguém perante várias portas fechadas e tendo garantias de que atrás de algumas dessas portas se encontram bons prémios, coisas pelas quais vale a pena abrir alguma porta, uma única que seja!, a opção mais frequente seja não abrir nenhuma das portas? Se calhar há pior do que isso, mas digo-vos, acreditem se quiserem, que esta inacção também não é nada boa.
Quantas oportunidades boas terei deixado passar ao lado apenas porque, por medo , vergonha ou simples descrença nas minhas capacidades, não optei por abrir uma porta fechada... ou semi aberta?! Bah! E quantas mais deixarei passar futuramente?! Demais, infelizmente.
Vou dormir ''mazé'', que já escrevo sobre tudo e não consigo dizer nada de jeito.
Até mais!



segredo revelado: As certezas e confianças dos outros fazem perceber-me o quão fortes são as minhas dúvidas e inseguranças sobre coisas tão básicas (ao nível do básico Homo Sapiens) como sobre mim mesmo.